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5 de julho de 2009

Corinthianos

Eu, meus pais e minha irmã chegamos a São Paulo na quarta-feira à noite, dia primeiro de julho. Cansados, famintos e, bom, cansados, deixamos as malas no hotel e saímos a pé pra comer numa lanchonete aqui perto, um cachorro quente legendário que meus pais já haviam comido ano passado, quando estiveram aqui.

O cachorro quente com certeza mereceria um parágrafo só pra ele só pelo fato de ter PURÊ DE BATATAS nele, (o que eu, como alagoana, achei surpreendente, não sei se isso é comum por aqui), mas não é sobre isso que eu quero falar. A lanchonete estava cheia de corinthianos, tipicamente barulhentos, interagindo com outros que passavam de carro, com bandeiras para fora da janela, buzinando a volumes com certeza prejudiciais. Os que estavam sentados, ao meu redor, respondiam com gritos aos ocasionais "VAMO CURÍNTIA!!!!!" dos que passavam, e vice-versa. Além de tudo, no bar do outro lado da rua, alguém teve a ideia de colocar um CD com músicas do tal time, e é lógico que todo corinthiano na rua começou a cantar junto, em alto e bom som. Isso quando não resolviam se juntar em grupinhos e pular abraçados pra fazer isso.

Mas a melhor parte foi quando um dos ditos cujos resolveu chegar na nossa mesa:
-Ei, ei.- Nós olhamos pra ele. -Hoje tem que fazer cara de filiz. Faz cara de filiz, vai, faz carinha de filiz.
E fez a tal cara de filiz, abrindo um sorriso de orelha a orelha. Meus pais riram, minha irmã bocejou, eu olhei e forcei um sorrisinho.

Ele soltou um "Iiiiiiiiiiiisso aê" e se afastou satisfeito pra atravessar a rua gritando.

Euforia imposta aos outros?

Não entendo os corinthianos.

21 de abril de 2009

Esse post é uma resposta a "Amor?" do Jogando Conversa Fora

Quando o conheceu, teve certeza. Certeza de que era possível, de que era real. Passou lentamente, olhos fixos no chão à sua frente. Sentiu o olhar penetrante em sua nuca. Resistiu ao impulso de se virar, ir até ele e dizer tudo.
Será que nunca ia mudar? Sempre a mesma coisa, sempre o mesmo sofrimento desnecessário? Pára tudo. Se alguém tinha que fazer alguma coisa, era ela. Voltou.
-Posso falar com você?
-Ah... claro.
-Não sei fazer isso.
-O quê? Falar?
-Não. Ficar sem fazer nada.
-O que você quer dizer?
-Quero dizer... nem sei direito o que quero dizer.
Silêncio.
-O que eu quero mesmo dizer é que eu não entendo.
-Ahn...
-Eu não entendo por que as pessoas não podem simplesmente ser honestas com uma coisa que é comum a todos.
-Oi?
-Todo mundo já passou, passa ou vai passar por isso, certo? E não é óbvio que, se você se magoa com algo, se fizer o mesmo a alguém, essa pessoa não vai ficar tão magoada quanto você ficou?
-É, acho que sim.
-Então por que, em nome do que quer que você acredite ser o ser/poder/energia que comande esse universo, as pessoas não podem ser honestas e claras em relação ao que sentem? Se toda garota sonha com um carinha perfeito, que a idolatre, que seja engraçado, bonito, inteligente, romântico, etc. etc. etc., por que quando aparece um assim elas não se interessam ou enjoam logo? Por que caras tão legais, que você sabe que dariam namorados perfeitos pra qualquer uma que tivesse a sorte de ser a sua escolhida, são preteridos por garotinhos bonitinhos sem um grama de moral e profundos como um pires?
-Se eu soubesse responder isso, não estaria sozinho.
-Eu sei.
Ele a olhou como se entendesse.
-Tem certeza?
-Eu sou a exceção. Mas não posso ser a única. Matematicamente comprovado.
Silêncio.
-Não é fácil.
-Infelizmente, parece que geralmente não vale a pena se for. E, sabe como é, a esperança é a última que morre, ou devia ser. Whatever. Confia em mim nessa, cara.

4 de dezembro de 2008

Outro de meus poemas

Adorável Teorema
Não sigo modismos, todos dizem
Redundância inconsciente
Pois ninguém quer ser igual
Quando a moda é ser diferente

Nunca ouviu? É uma pena
Nunca viu? Seu problema
Sou o que sou,
Um adorável teorema

Não aspiro ser mais um robô
Dessa sociedade superficial
Nunca me preocupei com isso,
Nem vejo razão para tal

Tudo que ouves sobre mim,
Não sei se já paraste para pensar,
Que pode não ser verdade
O que insistem em espalhar

Me prove e comprove
E prove que pode
Me amar
Do jeito que sou

11 de setembro de 2008

O futuro

Em uma das minhas aulas de inglês, tivemos uma discussão muito interessante sobre o futuro da humanidade. O que você responderia se lhe perguntassem se você acha que os avanços recentes na medicina são uma coisa boa? Provavelmente sim, certo?
Também era o que eu pensava até hoje. Mas agora estou confusa. Pensemos: em 1900, a população mundial era de cerca de um bilhão de pessoas. Atualmente, mais de 6 bilhões. Isso representa um aumento de 500%. Se continuar a crescer nesse ritmo, em 100 anos, haverá cerca de 36 bilhões de pessoas no planeta. Quer dizer, com tanta gente no mundo, em algum momento faltará água e alimentos (que já são mal distribuídos) para todos. Também é provável que falte espaço, o que já acontece nas áreas urbanas de alguns países superpovoados, como a China.
Agora, o que causou esse aumento populacional? As pessoas estão vivendo mais, e isso se deve aos avanços tecnológicos na medicina. Pessoas com câncer e outras doenças degenerativas, que há alguns anos não teriam muita opção de tratamento nem esperança de sobrevida hoje vivem anos a mais, na maioria das vezes sem qualidade alguma de vida. Ao mesmo tempo, as taxas de mortalidade infantil diminuem, novamente graças aos avanços na medicina.
Todas essas pessoas extras agravariam os problemas que enfrentamos hoje, como a poluição (grande causadora do aquecimento global). As famílias mais pobres são as que têm mais filhos, mas por não terem condições para tal, os problemas sociais agravam-se. Em países como a China, já existem programas governamentais para restringir o aumento da população, a famosa medida que proíbe que se tenha mais de um filho. Ela funcionou, pois a previsão de 1,5 bilhão de chineses na virada do século não se concretizou, sendo de "apenas" 1,2 bilhão.
Por mais que se diga que no futuro as pessoas vão viver embaixo d'água, em Marte, na Lua ou em Alfa-Centauro, é assustador pensar que em algum momento não haverá mais lugar para todos no planeta, e que haverá guerras por alimento e água. O que fazer? É necessário restringir o crescimento populacional com medidas governamentais, como na China?
Infelizmente, a situação só tende a piorar. Meu conselho? Aproveite enquanto a Terra não vira um mar de gente. Carpe diem, baby...

19 de maio de 2008

Reencontro

Então, como prometido, aqui está:

Reencontro

Nada havia se não magreza,
Nada havia se não tristeza
Nunca suficiente, nunca perfeita
Mas com sacrifício, tudo se ajeita
Faria de tudo pra ser aceita

Ainda que tudo fosse nada,
Não vestiria mais a calça, que, apertada,
Impunha uma árdua jornada
Comida? Até parece
Pra ser bonita, vê se esquece

Suas ações são recompensadas,
Ainda que estas sejam impensadas
Foi um alívio sentir as roupas folgadas
Quando de elogios foi coberta,
Pensou ter feito a coisa certa

Nada se compara à sensação
De se sentir no topo do mundo e então,
Descobrir que elogios vêm e vão
Pois tudo tem um fim
Ainda que ela não quisesse assim

Quando à pressão ela sucumbiu,
E a determinação num segundo sumiu,
A velha insegurança ressurgiu
Velhos hábitos são difíceis de esquecer
E, ainda mais, aos maus sobreviver

E ali, segurando-se para não ir ao chão,
Viu sua vida findar num ofuscante clarão
E tomou assim uma decisão
Ao ver seus pais, com os rostos aflitos
E a expressão de seus verdadeiros amigos

Aquela garota de antes, onde estava?
Era tão feliz e confiante, o que mudara?
Ser ela mesma era só o que tentava
Queria voltar a ser como era, linda!
Não era tarde demais ainda

Decidiu suas prioridades definir
Nada mais a controlaria assim
Ela em breve voltaria a sorrir
Pouco a pouco conseguiu
Sentir-se com nunca se sentiu

Aprendeu que a maior arma contra a dor
Era aquela a que ela não dava valor
Sua família e amigos, puro e verdadeiro amor
Vive uma vida plena
Onde uma calça apertada nunca será um problema

28 de abril de 2008

Complicado...muito complicado...

Os adultos geralmente têm mania de dizer que vida de adolescente é fácil, que nossa única responsabilidade é a escola, e blábláblá. Meu comentário é o seguinte: eu só espero
que quando eu me tornar adulta, não seja acometida por esse mal terrível chamado amnésia. Por favor, né? Sei que os tempos eram outros, mas todo adulto também já foi adolescente, mas a maioria parece não se lembrar da sensação de ter milhões de coisas pra estudar, ter que aturar a irmã mais nova que enche o saco, ser ignorada pelo garoto que você gosta, lidar com as espinhas e ter uma vida social, tudo ao mesmo tempo.
Só que...eu não trocaria essa época por nada.
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