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29 de agosto de 2009

A minha infância querida

Maturidade sorrateira
Me corrompe tão ligeira
Que há muito não sou mais criança

Era menina, tão faceira
Até bonita, à minha maneira
Mas já não entro mais na dança

Razões diversas
Razões perversas
Que me atropelam a vida

O pior é imaginar se seria melhor
se eu não soubesse
Se os anos trariam de volta minha infância,
a tal aurora de minha vida
que Casimiro canta

Ignorância chamada de bênção,
um véu multicor
de alegria, bondade, ternura, calor

Não, prefiro tudo como foi
Imperfeito,
mas que me mostrou bem cedo
o mundo e o que sou.

18 de março de 2009

É, eu sou superprotegida

Essa semana consegui concretizar uma ideia na cabeça, algo que eu já sabia, mas que me deixou com muita raiva. E, como sempre acontece quando tenho uma emoção forte assim, tenho um forte ímpeto de escrever. Então, aqui estou.
Uma gaiola, uma jaula, uma prisão
Chame como quiser
Não vejo solução
Num futuro nem tão próximo
Enclausurada, aprisionada, presa
Chame como quiser
Só quero sentir, uma vez na vida,
Que me enquadro
Só queria poder aproveitar
Os ditos melhores anos da minha vida
Como todos fazem
Sem me sentir culpada
Já deveria estar acostumada, não?
Há quanto tempo vivo assim?
Mas a hora vai chegar
Em que essa crise adolescente
Vai parecer tão sem importância
Tal liberdade, tão desejada
Não vai ter gosto de vitória
Quando criança, quero crescer
Quando adulta, voltar à infância
Agora, sei que é coisa de momento
Culpe meus hormônios

19 de fevereiro de 2009

Nem tão impossível assim

Meus pensamentos, tão concretos
Mesmo aqueles nunca abertos
Nem aos meus maiores afetos
Para sempre de receio cobertos

Difícil se mostrar vulnerável
Mesmo em situação agradável
Confessar o inconfessável
Nunca pareceu menos provável

Quando a grande estrela chora
E quando o céu vai embora
Talvez essa seja a hora
De colocar tudo pra fora

Então continuo assim
Uma tortura sem fim
Sem conseguir dizer sim,
Fazer algo só pra mim

Queria não me preocupar,
Deixar tudo pra lá,
Da próxima vez vou tentar
Só preciso acreditar

Poeminha antigo resgatado aí... Espero que gostem.

22 de dezembro de 2008

Cantada

Peguei-me pensando o que estarias fazendo
Neste lugar, neste momento
Sem motivo aparente, de repente
Mas com tom urgente

Veio até mim,
Andar apressado
De quem foi mesmo incitado
Isso era mesmo necessário?

Não entendo, o que queres?
Provar-se mais homem
Do que os que ao seu redor?
Julguei-te mal?

Queres apenas falar,
Comigo e com mais ninguém,
Sozinhos, talvez?
Não sei

Creio que sim, tudo bem
Nada tenho a perder
Fale logo, o que é?
Não me demoro aqui

Dizes que desde o começo,
No primeiro olhar, sentira algo
Que não paras mais de pensar em mim,
Eu deveria dar uma chance a este amor?

Ah, nunca disseste isto a mulher alguma?
Tudo isso que dizes poderia me ganhar,
Atravessar-me como uma flecha de Eros,
Poderia, sim, me apaixonar.

Não fosse o pequeno detalhe
De uma amiga ter me contado
Que ouviu tudo isto,
O mesmo, de tu ontem

Diz agora, por que eu haveria
De dar uma chance ao seu
Dito “amor”?
Não me enganas

Vejo como sou a única mulher
A quem disseste isso.
Banalizas o amor como a tudo mais,
E por isso não o merece.

4 de dezembro de 2008

Outro de meus poemas

Adorável Teorema
Não sigo modismos, todos dizem
Redundância inconsciente
Pois ninguém quer ser igual
Quando a moda é ser diferente

Nunca ouviu? É uma pena
Nunca viu? Seu problema
Sou o que sou,
Um adorável teorema

Não aspiro ser mais um robô
Dessa sociedade superficial
Nunca me preocupei com isso,
Nem vejo razão para tal

Tudo que ouves sobre mim,
Não sei se já paraste para pensar,
Que pode não ser verdade
O que insistem em espalhar

Me prove e comprove
E prove que pode
Me amar
Do jeito que sou

11 de outubro de 2008

Outro poema

Eu disse que postaria alguns poemas de minha autoria, e acabei postando apenas um. Mas mesmo sem ter leitores, sinto a obrigação moral de cumprir minha promessa. Então aqui está. Um poema de alguns meses atrás que, na verdade, já não condiz mais com a verdade. Mas gosto dele.

Intervenção

Tudo que sabes, não compartilha
Mas tudo que vai, volta
Tudo tem um motivo
Tudo que te prende, me solta

Transmites uma idéia inversa
Em nossas mentes, já morta
Mas tu nada esqueces
Tudo que te prende, me solta

Ao tentar ser quem não és,
Quando a verdade é tão oposta,
Desaponta a ti mesmo
Tudo que te prende, me solta

Sei que é difícil,
Mas torço por uma reviravolta
Será que tens conserto?
Tudo que te prende, me solta

Não entendo teus motivos,
Tua inércia me causa revolta
Por que tantas limitações?
Tudo que te prende, me solta

Não posso mais me preocupar,
Nada disso mais me importa
Não queria, mas desisto
Tudo que te prende, me solta

19 de maio de 2008

Reencontro

Então, como prometido, aqui está:

Reencontro

Nada havia se não magreza,
Nada havia se não tristeza
Nunca suficiente, nunca perfeita
Mas com sacrifício, tudo se ajeita
Faria de tudo pra ser aceita

Ainda que tudo fosse nada,
Não vestiria mais a calça, que, apertada,
Impunha uma árdua jornada
Comida? Até parece
Pra ser bonita, vê se esquece

Suas ações são recompensadas,
Ainda que estas sejam impensadas
Foi um alívio sentir as roupas folgadas
Quando de elogios foi coberta,
Pensou ter feito a coisa certa

Nada se compara à sensação
De se sentir no topo do mundo e então,
Descobrir que elogios vêm e vão
Pois tudo tem um fim
Ainda que ela não quisesse assim

Quando à pressão ela sucumbiu,
E a determinação num segundo sumiu,
A velha insegurança ressurgiu
Velhos hábitos são difíceis de esquecer
E, ainda mais, aos maus sobreviver

E ali, segurando-se para não ir ao chão,
Viu sua vida findar num ofuscante clarão
E tomou assim uma decisão
Ao ver seus pais, com os rostos aflitos
E a expressão de seus verdadeiros amigos

Aquela garota de antes, onde estava?
Era tão feliz e confiante, o que mudara?
Ser ela mesma era só o que tentava
Queria voltar a ser como era, linda!
Não era tarde demais ainda

Decidiu suas prioridades definir
Nada mais a controlaria assim
Ela em breve voltaria a sorrir
Pouco a pouco conseguiu
Sentir-se com nunca se sentiu

Aprendeu que a maior arma contra a dor
Era aquela a que ela não dava valor
Sua família e amigos, puro e verdadeiro amor
Vive uma vida plena
Onde uma calça apertada nunca será um problema