16 de maio de 2009

O passado não volta, mas não precisava ter ido

Fico pensando se foi tudo um sonho. Aqueles tempos existiram mesmo ou eu só os imaginei como uma forma de preencher a minha necessidade amigas verdadeiras?
Certo, sonho não foi. Claro que não.
Mas será que era tão bom quanto eu lembro que era? Parece que tudo que tínhamos em comum não significa mais tanto pra mim.
E é difícil achar assunto. Quando falo, sempre sinto que não sou interessante, e que não pertenço ali.
Não devia mesmo ser tão difícil.
Devia ser natural. Fácil.
Só eu mudei?

10 de maio de 2009

My sweet sixteen

No dia seis de maio de 2009, comemora-se (pelo menos eu comemorei) os dezesseis anos do dia em que minha mãe deu à luz sua primogênita, Laura (eu). Geralmente no dia do meu aniversário sinto uma atmosfera diferente, e fico bem... feliz. Como deveria, certo? Bom, esse ano, não tive tanto clima de aniversário.
Talvez porque esse ano eu não tenha deixado minha mãe realizar seus planos de todo ano dar uma festa, de um modo ou de outro, apenas um jantar para os familiares mais próximos e meu namorado, ou talvez por eu ter perdido o contato com muitas pessoas nos últimos meses, mas acordei e nem lembrei que era meu aniversário, o "meu dia".
Se eu vivesse em algum outro lugar, ou em outra época, talvez já estivesse casada, com filhos. Talvez já trabalhasse, já dirigisse, já fosse independente. Talvez já estivesse morta, ou na meia-idade. Por isso sei que tenho sorte. Porém ficaria feliz se a possibilidade de votar (e, segundo Renata, ficar rica vendendo os votos) não fosse tudo que meus 16 anos trazem.
Esperava, mas não me sinto diferente agora de como me sentia há uma semana, com 15. Talvez não tenha caído a ficha ainda. Ou talvez eu esteja esperando por algo que nem existe. Afinal, o homem é que teve a necessidade de marcar o tempo. Faz diferença se hoje faz 5844 dias que eu nasci, ou 5845?
Não sei se já mencionei aqui, mas sempre fui meio precoce, principalmente na personalidade e na percepção do mundo, ainda que ingênua para muitas coisas. Acho que já me sentia com 16 anos antes de completá-los. Na verdade, mal posso esperar pelos 17. MAS, antes, tenho que tomar um rumo, fazer algumas decisões difíceis. Afinal, os dias de debutante já eram.

21 de abril de 2009

Esse post é uma resposta a "Amor?" do Jogando Conversa Fora

Quando o conheceu, teve certeza. Certeza de que era possível, de que era real. Passou lentamente, olhos fixos no chão à sua frente. Sentiu o olhar penetrante em sua nuca. Resistiu ao impulso de se virar, ir até ele e dizer tudo.
Será que nunca ia mudar? Sempre a mesma coisa, sempre o mesmo sofrimento desnecessário? Pára tudo. Se alguém tinha que fazer alguma coisa, era ela. Voltou.
-Posso falar com você?
-Ah... claro.
-Não sei fazer isso.
-O quê? Falar?
-Não. Ficar sem fazer nada.
-O que você quer dizer?
-Quero dizer... nem sei direito o que quero dizer.
Silêncio.
-O que eu quero mesmo dizer é que eu não entendo.
-Ahn...
-Eu não entendo por que as pessoas não podem simplesmente ser honestas com uma coisa que é comum a todos.
-Oi?
-Todo mundo já passou, passa ou vai passar por isso, certo? E não é óbvio que, se você se magoa com algo, se fizer o mesmo a alguém, essa pessoa não vai ficar tão magoada quanto você ficou?
-É, acho que sim.
-Então por que, em nome do que quer que você acredite ser o ser/poder/energia que comande esse universo, as pessoas não podem ser honestas e claras em relação ao que sentem? Se toda garota sonha com um carinha perfeito, que a idolatre, que seja engraçado, bonito, inteligente, romântico, etc. etc. etc., por que quando aparece um assim elas não se interessam ou enjoam logo? Por que caras tão legais, que você sabe que dariam namorados perfeitos pra qualquer uma que tivesse a sorte de ser a sua escolhida, são preteridos por garotinhos bonitinhos sem um grama de moral e profundos como um pires?
-Se eu soubesse responder isso, não estaria sozinho.
-Eu sei.
Ele a olhou como se entendesse.
-Tem certeza?
-Eu sou a exceção. Mas não posso ser a única. Matematicamente comprovado.
Silêncio.
-Não é fácil.
-Infelizmente, parece que geralmente não vale a pena se for. E, sabe como é, a esperança é a última que morre, ou devia ser. Whatever. Confia em mim nessa, cara.

5 de abril de 2009

Procuro alguém que saiba trocar uma lâmpada

Dentro de mim há um espírito livre gritando pra sair.
Dentro de mim há uma criança se afogando, que sobrevive de pequenas e raras lufadas de ar, aproveitadas ao máximo.
Dentro de mim há uma mulher adulta, confiante e independente esperando.
Dentro de mim há uma garotinha assustada, sem auto-estima e consumida pela tristeza e pela desesperança, que luto para manter onde está.
Dentro de mim há uma lâmpada prestes a queimar.

18 de março de 2009

É, eu sou superprotegida

Essa semana consegui concretizar uma ideia na cabeça, algo que eu já sabia, mas que me deixou com muita raiva. E, como sempre acontece quando tenho uma emoção forte assim, tenho um forte ímpeto de escrever. Então, aqui estou.
Uma gaiola, uma jaula, uma prisão
Chame como quiser
Não vejo solução
Num futuro nem tão próximo
Enclausurada, aprisionada, presa
Chame como quiser
Só quero sentir, uma vez na vida,
Que me enquadro
Só queria poder aproveitar
Os ditos melhores anos da minha vida
Como todos fazem
Sem me sentir culpada
Já deveria estar acostumada, não?
Há quanto tempo vivo assim?
Mas a hora vai chegar
Em que essa crise adolescente
Vai parecer tão sem importância
Tal liberdade, tão desejada
Não vai ter gosto de vitória
Quando criança, quero crescer
Quando adulta, voltar à infância
Agora, sei que é coisa de momento
Culpe meus hormônios

15 de março de 2009

Adolescentes não são todas iguais

Quinze anos não são nada, recém saída da infância. As adolescentes de hoje só pensam em maquiagem, roupas, festas e garotos, não se interessam por nada fora de seus mundinhos medíocres e limitados. Algumas a mais ou a menos na Terra não fariam diferença. Você provavelmente não é diferente, talvez uma versão um pouco melhor, um pouco menos obtusa. Mas no fundo tem as mesmas pretensões de todas as outras.
-Oi? Peraê, peraê, espera um pouco. É comigo?
Com quem mais seria?
-Não sei quem o senhor é, nem o quer, nem o que o senhor está fazendo aqui ocupando espaço no meu sonho, mas dá pra me liberar aí?
Ah, sinto muito, eu não deveria estar ocupando o espaço da bandinha adolescente que provavelmente habita essa espelunca aqui. Qual a boy band da vez? Ou talvez um atorzinho branquelo de cabelos e olhos claros, um all-american boy que ganhe verdadeiras fortunas interpretando papéis que façam menininhas acreditarem que vão encontrar um namorado/robô perfeito, que as vai idolatrar e amar incondicionalmente, fazendo-as felizes para sempre?
-Pra falar a verdade, meus sonhos geralmente são sobre pessoas importantes na minha vida.
Quem, Hannah Montana?
-Ahn... Não, meus amigos, minha família... meu namorado...
Uau, estava demorando... Então... Seu namorado, hã? Há quanto tempo estão juntos?
-Oito me...
Isso não importa, não é? Porque tenho certeza que ele é perfeito, que vocês são felizes juntos e que vão se casar e ter uma grande família feliz e perfeita. Poupe-me desse otimismo cego. Namoro de escola não tem futuro, tem data certa pra acabar: quando ele se formar e for estudar longe, dizendo que nunca vai te esquecer nem deixar de te "amar"...
-Ei, eu ouvi as aspas em "amar". Acha que eu mesma não já duvidei de tudo isso? Eu penso muito antes de tomar decisões, e não acho que seja como você está insinuando. Se bem que o senhor já parece estar afirmando tudo isso sobre mim. Você nem me conhece.
Nem preciso. Adolescentes são todas iguais.
-Lamento desapontá-lo, mas generalizar baseado no que o senhor vê em algumas meninas não me parece correto.
Vai dizer que eu não estou certo, que adolescentes não são assim? Tenho mais de três vezes sua experiência de vida, garota, sei como as coisas são.
-Bem, as coisas mudam. E o senhor está certo, exis...
Viu? Até você admite.
-Deixe-me terminar. Existe sim o tipo de adolescente que o senhor descreveu tão bem, presas à sua própria realidade e com gostos, preferências e atitudes pré-determinados pelas suas líderes, pela rádio, pela TV... Mas me recuso a acreditar que eu sou a única que não tem medo de falar o que pensa, de gostar do que eu quero, de vestir o que eu quero e fazer e me interessar pelo que eu quero sem ser discriminada por isso. Posso provar que aquele sentimento de que os jovens são o futuro não é desesperador, minha geração não é tão fútil. Apesar de ser, sim, meio Coca-Cola. E agora, pode me dizer quem o senhor é?
Não sei se devo. No fundo você mesma sabe quem eu sou e por que estou aqui. Agora vá. Se continuar dormindo não vai chegar a tempo na escola, e aquelas fórmulas não vão se decorar sozinhas.
Aí eu acordei.

19 de fevereiro de 2009

Nem tão impossível assim

Meus pensamentos, tão concretos
Mesmo aqueles nunca abertos
Nem aos meus maiores afetos
Para sempre de receio cobertos

Difícil se mostrar vulnerável
Mesmo em situação agradável
Confessar o inconfessável
Nunca pareceu menos provável

Quando a grande estrela chora
E quando o céu vai embora
Talvez essa seja a hora
De colocar tudo pra fora

Então continuo assim
Uma tortura sem fim
Sem conseguir dizer sim,
Fazer algo só pra mim

Queria não me preocupar,
Deixar tudo pra lá,
Da próxima vez vou tentar
Só preciso acreditar

Poeminha antigo resgatado aí... Espero que gostem.